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Cidade

Cine Lido e o retorno de uma história que começou na Cinelândia curitibana

Por deyse
cine lido

Quando o Cine Lido abriu as portas em 17 de setembro de 1959, Curitiba vivia um momento em que ir ao cinema era mais do que assistir a um filme. Era um programa completo, parte da rotina e da vida social da cidade. Inaugurado com a superprodução “Guerra e Paz”, dirigida por Henry King e estrelada por Audrey Hepburn, o espaço já nasceu como um marco. Construído por Henrique Oliva, o cinema era considerado o mais moderno da capital naquele momento.

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Naquele fim de década, o Centro concentrava o que muitos chamavam de “Cinelândia Curitibana”. A Avenida Luiz Xavier reunia salas como Cine Palácio, Cine Avenida e Cine Ópera, responsáveis pelos principais lançamentos da época e por formar o hábito coletivo de frequentar cinemas de rua. O Lido se inseria nesse circuito, ampliando uma cena cultural que fazia do cinema um ponto de encontro urbano.

Mais do que salas de exibição, esses espaços funcionavam como extensão da vida pública. Era comum que sessões de cinema se misturassem a encontros, conversas e passeios pelo Centro. Com o tempo, essa dinâmica ajudou a consolidar uma geração que cresceu frequentando cinemas de rua, antes que o modelo começasse a mudar nas décadas seguintes.

O Cine Lido atravessou transformações ao longo dos anos. Em fevereiro de 1984, passou por uma grande reforma que alterou significativamente sua estrutura original. Após sete meses de obras, o espaço ganhou duas salas, com 550 e 350 lugares, além de áreas comerciais no antigo hall. Apesar das mudanças, manteve-se ativo como parte do circuito exibidor da cidade.

Cine Lido quando já em decadência quando exibia filmes +18. Foto: Reprodução/Blog do Nogueira

Mas, como outros cinemas de rua, o Lido não resistiu às mudanças no comportamento do público e à chegada de novos formatos de consumo. A partir dos anos 1990 e 2000, muitas dessas salas fecharam as portas, acompanhando o deslocamento do entretenimento para shopping centers e outras regiões da cidade. Alguns espaços foram demolidos, enquanto outros ganharam novos usos ao longo dos anos. O Cine Lido, como conta um leitor do Bem Paraná, ficou conhecido como um “recanto da saliência” visto, que desde 2004 até seu encerramento, exibiu filmes pornográficos.

Décadas depois, o prédio do Cine Lido volta a ganhar protagonismo. Fechado desde 2016, o espaço passa por uma transformação completa para reabrir em julho deste ano com uma nova proposta. O antigo cinema de rua dá lugar a um empreendimento multiuso voltado para shows e eventos, em um movimento que acompanha a revitalização do Centro de Curitiba.

Fachada do cinema logo após seu encerramento, em 2017. Foto: Reprodução/Blog do Nogueira

Com investimento de cerca de R$ 22 milhões, o projeto prevê um espaço de aproximadamente 3 mil metros quadrados, com capacidade para até 2,5 mil pessoas e acessibilidade total. A iniciativa é liderada pelos empresários Malu e Patrik Cornelsen, da Planeta Brasil Entretenimento, junto com Gian Zambon e Bruno Neves, da SevenX. A proposta é transformar o Lido em uma casa preparada para receber diferentes tipos de produções, com tecnologia e estrutura de ponta.

A nova fase do espaço também dialoga com uma demanda recente do setor. No pós-pandemia, produtores passaram a buscar locais maiores e mais preparados para eventos ao vivo, e o antigo Cine Lido surgiu como uma oportunidade. O histórico do prédio, já adaptado para isolamento acústico, foi um dos fatores decisivos para sua escolha.

O projeto faz parte da iniciativa de revitalização do centro da cidade. Foto: Divulgação

O projeto arquitetônico, assinado por João Uchoa, com interiores de André Henning, prevê uma estrutura modular, com seis bares, camarote corporativo e equipamentos de som e luz integrados. A proposta inclui ainda soluções sustentáveis, como reaproveitamento de água da chuva, energia solar e gestão de resíduos, buscando neutralidade de carbono.

A reabertura do Cine Lido também se conecta a um movimento mais amplo da cidade. Nos últimos anos, Curitiba tem buscado se posicionar como destino para grandes turnês e eventos, impulsionada por mudanças como a redução do ISS para produções culturais. Nesse cenário, o novo espaço surge como uma alternativa para ampliar a oferta e atrair novos públicos.

Além da transformação do imóvel, o projeto integra a estratégia de revitalização do Centro, conduzida pela Prefeitura. A expectativa é que o novo Cine Lido estimule a ocupação da região, gere empregos e fortaleça a atividade econômica no entorno, devolvendo movimento a uma área que já foi marcada pela concentração de cinemas e vida cultural intensa.

O Lido contará com seis bares após a revitalização. Foto: Divulgação

Se em 1959 o Lido representava o auge dos cinemas de rua, agora ele retorna com outra proposta, mas carregando a mesma essência de encontro. Entre passado e futuro, o espaço volta a ocupar seu lugar no Centro, não mais como sala de cinema, mas como palco para uma nova fase da vida cultural da cidade.

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