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Cidade

O Pasquale e os anos em que o Centro era ponto de encontro

Por deyse
pasquale

Antes que a cidade acelerasse, antes que o Centro virasse sinônimo de pressa, havia um lugar onde o tempo desacelerava. Fundado em 1957 por João Pasquale, o Bar do Pasquale se tornou um dos pontos de encontro mais emblemáticos de Curitiba. No meio Passeio Público, o restaurante atravessou gerações e virou como símbolo de uma cidade que ainda valorizava a pausa.

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Nas décadas de 1950 e 1960, Curitiba vivia um processo de modernização urbana, mas mantinha forte a cultura dos bares como espaços de sociabilidade. O Pasquale se encaixava exatamente nesse cenário. Ali, políticos, jornalistas, intelectuais, artistas e funcionários públicos dividiam mesas sem cerimônia. Era como se o restaurante fosse a sala de estar de todo mundo. Quem queria saber das novidades passava por lá. Quem queria ser visto, também.

Foto: Reprodução/Facebook/Tom Dias

O endereço ajudava a construir essa atmosfera. Dentro do Passeio Público, o restaurante dialogava com a cidade que circulava do lado de fora. Mesas ocupadas desde o fim da manhã, garçons que conheciam os clientes pelo nome e pedidos que se repetiam quase automaticamente faziam parte da rotina.

Entre os pratos favoritos da casa, a feijoada era a campeã. Servida aos sábados, ela reunia clientes assíduos e visitantes ocasionais em torno de uma mesa farta, barulhenta e demorada. Não era apenas uma refeição, mas um ritual embalado por conversas longas e copos sempre cheios. Para muitos curitibanos, a feijoada do Pasquale tornou-se sinônimo de sábado no Centro.

Além da feijoada, pratos típicos de boteco, como a carne de onça, levavam o público ao restaurante. Foto: Reprodução/Facebook/Tom Dias

Durante as décadas seguintes, o bar acompanhou as transformações da cidade. Curitiba cresceu e descentralizou seu movimento. Mesmo assim, o Pasquale permaneceu como marco de tradição. Enquanto novos bares surgiam e desapareciam, ele mantinha sua clientela fiel, conquistando paladares de geração em geração.

A partir dos anos 1990, o bar começou a enfrentar um cenário mais desafiador. O Centro já não concentrava o mesmo fluxo de moradores e frequentadores de outras décadas, e o eixo gastronômico da cidade se deslocava para novos bairros. Ao mesmo tempo, o estabelecimento passou por diversas mudanças administrativas, deixando o restaurante sem sua saudosa identidade.

O espaço seguiu sendo favorito por gerações. Foto: Reprodução

Nos últimos anos de funcionamento, o espaço chegou a mudar de nome em diferentes tentativas de reposicionamento, buscando atrair novo público e se adaptar aos tempos. Mas essas mudanças não trouxeram de volta o prestígio das décadas passadas.

O Pasquale resistiu até o início dos anos 2000, quando encerrou definitivamente as atividades, virando mais um capítulo da lista de bares históricos que fecharam as portas em Curitiba.

O prédio permaneceu por anos como lembrança quando, em 20 março de 2019, a Prefeitura de Curitiba realizou a demolição da antiga estrutura, já bastante deteriorada, para viabilizar um novo projeto urbanístico no entorno do Passeio Público.

Apesar de tudo, a memória continuou sendo preservada. Em 2022, o jornalista e cronista Carneiro Neto lançou o livro “Lá no Pasquale”, obra dedicada a contar a trajetória do restaurante e seu impacto na vida cultural e política curitibana. O lançamento reforçou o que muitos já sabiam: o Pasquale tinha deixado de ser só um restaurante para virar parte da história.

O livro foi lançado na Livraria da Vila, no Pátio Batel. Foto: Divulgação

Hoje, quem passa pelo entorno do Passeio Público talvez não imagine que ali funcionou um dos restaurantes mais simbólicos da cidade. Mas para quem viveu aquela época, o Pasquale permanece inteiro na lembrança.

Foto: Claudio Duarte/Reprodução/Facebook

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