Soleil Café: o sol entrou pela janela e ficou
Fui convidado pela Isa, dona e proprietária do Soleil Café, e quem me conhece sabe que convite pra café é a única coisa que não recuso na vida. Nem em segunda-feira, nem de ressaca, nem no fim do mundo (espero que essa expressão seja sempre figurativa).
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Isa eu já conhecia de outros tempos, quando ela era sócia do Mia Trattoria. Agora ela abriu voo próprio e o resultado é esse espaço que já virou assunto em Curitiba.
Cheguei com a minha pontualidade britânica: 8h59. O café abre às 9h. Tive o privilégio de conhecer o lugar antes de qualquer cliente pisar lá dentro, só eu, a Yasmin e aquele silêncio gostoso de início de manhã. Foi quase uma experiência espiritual. Quase kkkk.
O Soleil fica dentro da Villa Mariantonio, no Batel, e já começa bem antes de você sentar. A arquitetura e a decoração são um prato à parte. Delicada, cuidada em cada detalhe, e não é coincidência. O lugar foi projetado assim, por mulheres e pra mulheres. A Villa Mariantonio carrega no DNA o fortalecimento do empreendedorismo feminino, e o Soleil veste essa identidade com elegância, sem precisar gritar.

Aqui abro um parêntese curitibano. Dalton Trevisan, o nosso eterno Vampiro de Curitiba, passou décadas se escondendo numa cidade que ele mesmo descrevia como provinciana, fechada, encolhida. Uma cidade que desconfiava do sol. Pois bem, Dalton. O Soleil existe agora. E ele foi feito exatamente pra nos tirar da toca, das casas, dos escritórios, das planilhas abertas às 14h de uma terça-feira sem graça. O nome já é um convite e o ambiente cumpre a promessa: vidraças do chão ao teto, luz natural invadindo cada canto, e aquele sol do Batel entrando sem pedir licença. Curitiba não é mais só frio e garoa. Às vezes ela aparece assim, radiante e sem avisar.
Começamos pela cesta de pães artesanais (R$ 18), todos feitos na casa. Bons, macios, honestos. Mas o que me pegou de surpresa foi o que veio junto: manteiga da casa com mirtilo (R$ 6) e um creme de ricota trufado (R$ 12). Leve e intenso ao mesmo tempo, esse tipo de contraste que faz você pausar a conversa pra pensar no que acabou de comer.

O avocado toast (R$ 38) merece um destaque. A Isa me explicou que a tostada ali é feita com ciabatta da casa, diferente de muitos lugares que mandam aquele pão de fermentação natural com casca couraçada que parece teste de resistência para os dentes. Ali não. Leve, bem servido, funcionou.
Dividimos um Eggs Benedict (R$ 42), prato feito pra compartilhar, e que cumpre o que promete. Ovo pochê no ponto, molho holandês na textura certa, tudo sobre um English Muffin macio que encerrou o conjunto com categoria. Esse é o tipo de prato que separa café sério de café de fachada bonita.

Mas o MVP da manhã, sem discussão, foi o Banana Bread (R$ 24). Feito com bananas maduras caramelizadas, pedaços de chocolate da Utopia Tropical, marca daqui de Curitiba, e doce de leite da casa. É daqueles doces que você come, fecha os olhos um segundo e concorda com tudo. Com tudo mesmo. Com a vida, com a conta, com o trânsito do caminho. Voltaria só por ele.
O cappuccino (R$ 15) fechou com chave de ouro: técnica correta, doçura equilibrada, aquela harmonia entre o espresso e o leite vaporizado que muita gente erra.
Fomos embora quase às 11h. Chegamos sem clientes, saímos com o sol já entrando forte pelas vidraças. No meio do Batel, com toda a paz que o endereço não sugere, o Soleil Café é desses lugares que a cidade precisava e que vai durar. Não porque está na moda, mas porque quando a comida é boa, o ambiente acolhe e tem intenção de verdade por trás, as pessoas voltam.
Eu vou voltar. Provavelmente mais de uma vez na mesma semana.
Serviço – Soleil Café
Endereço: R. Gutemberg, 585 – Batel
Funcionamento: de segunda a sexta, das 09 às 19h, sábados, das 09h às 16h
Informações e reservas: através do direct no perfil do café no Instagram.